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Para os Benfiquistas Portuenses (e Não Só)


RESPOSTA A UMA QUESTÃO COLOCADA POR UM BENFIQUISTA DA CIDADE DO PORTO A PROPÓSITO DA ORIGEM DO TERMO «ANDRADES»

Comparando as duas fotografias – uma actual e outra de 1939/1940 – é possível localizar com exactidão onde ficava o campo do Ameal cuja disputa deu origem à designação de «Andrades», como eufemismo para «Malfeitores»!


A pergunta tem mais de seis meses mas só agora consegui encontrar o recorte da revista Stadium que guardo desde os anos 80.

A pergunta é de um dedicado e fiel leitor deste blogue e questionava se este comentário num blogue portista tem algum fundamento a propósito do porquê dos portistas serem conhecidos entre os portuenses por «andrades». 


Comentário no blogue (clicar)

Nenhum fundamento. Esse comentário é uma “manobra” de diversão tipicamente do portismo andróide ou seja, pintecostista! É como a estória do Calabote, do Clube do Regime e do Nacional-Benfiquismo. Desviar os assuntos para questões à margem evitando falar do essencial. O que não quer dizer que a estorieta do senhor Andrade Pinto não tenha existido mas não foi por isso que os portistas passaram a ser conhecidos, a partir de final dos Anos 30 por «Andrades». 

O que se passou foi a prepotência do FC Porto perante um pequeno clube, o Sport Progresso, que tinha no seu campo – em terrenos arrendados a um proprietário rural, o sr. Andrade – um espaço desportivo laboriosamente erguido pelos associados e inaugurado em 10 de Junho de 1923 como noticia, na página 6, o jornal “Comércio do Porto”.


O FC Porto tinha um pequeno campo, o da Constituição, e para receber o Benfica e o Sporting CP (por vezes até o CF “Os Belenenses”) ou disputar jogos frente a equipas de clubes estrangeiros, recorria ao aluguer dos outros dois campos que eram estádios: o do Ameal (Sport Progresso) e o do Lima (Académico FC). Até que um dia os dirigentes do FCP se lembraram de uma “golpada”. Morrendo o proprietário o campo foi dividido por três filhos. Um era “progressista” e outro portista, quanto ao terceiro era interesseiro. O FCP apercebeu-se que tinha “campo” pois sendo um clube poderosíssimo face ao Sport Progresso entendeu que estes cederiam e o campo passaria a ser seu. Ficava com o melhor estádio da cidade (com piso relvado e amplas bancadas construídas laboriosamente durante dez anos pelos “progressitas”) e onde jogava a selecção nacional quando se deslocava à cidade do Porto. Só que o Sport Progresso não cedeu, nem a troco de qualquer verba. Contava mais a paixão pelo campo que tinham construído enquanto o FCP vivia num campo exíguo e preferia alugar o dos outros. O FC Porto não teve contemplações. Se o campo não é todo para nós, então vocês (Sport Progresso) joguem na parte que vos tocou. É evidente que nem seria para uns nem para outros, mas o FC Porto sempre tinha a Constituição e dinheiro para alugar o Lima. O Sport Progresso não tinha nada disso e até vivia, em parte, das receitas que o aluguer do estádio do Ameal proporcionava. Como não houve acordo as gentes progressistas foram obrigadas a ceder e deixar o terreno como o alugaram – fazia parte dos contratos de arrendamento em terrenos agrícolas – e tiveram que arrancar as bancadas. O Benfica também quando alugou a Quinta da Feiteira e a Quinta Nova, em Sete Rios, obrigou-se quando deixasse esses espaços a deixá-los como quando os arrendou, ou seja, com possibilidades de poderem voltar a ser quintas agrícolas.

De pijama a garboso, eis o primeiro Glorioso Capitão da Era Moderna


A atitude prepotente do FC Porto fez corar de vergonha os desportistas da cidade do Porto e todos os adeptos dos pequenos clubes sentiram que o que o FCP fez ao Sport Progresso era como se também o tivesse feito a cada um deles: Boavista FC, SC Salgueiros, Académico FC, Estrela e Vigorosa Sport, Clube Infante de Sagres, Ateneu Comercial do Porto, Sporting Clube Vasco da Gama, Sport Clube do Porto, Ramaldense FC, Clube Fluvial Portuense e até clubes de Gaia: CD Candal, CF Valadares, FC Avintes, Vilanovense FC, SC Coimbrões, etecetra. Daí começarem a apelidar os portistas de andrades, pelo facto, de se terem aproveitado de um senhor Andrade (filho) menos escrupuloso e “espertalhão”.  



Moral da História. Nos Anos 40 meia-cidade amava o FCP e outra meia odiava o FCP. E o FC Porto vai pagar – bem caro – esta atitude, deixando de ter a cidade a seus pés. O potencial do FCP para crescer hegemonicamente na cidade do Porto foi reduzido, pagando-o com a ausência de receitas e títulos, e quem beneficiou com isso foi o…BENFICA. Que era o clube que “entalava por excelência” o FCP para gáudio de meia-cidade. Para os Benfiquistas da cidade do Porto o “caso dos Andrades” foi a vossa/nossa “salvação” pois assim tiveram oportunidade de pertencer ao Benfica, por herança familiar, em vez de andarem equipados pela cidade de pijama ou ir “roubar” os toldos das barracas das praias da Póvoa para fazerem camisolas. Abençoem a estupidez dos portistas de final dos anos 30!

Penso que o espaço onde estava localizado o campo – a sul do Colégio Luso-Francês – agora é um terreno ocupado por uma fábrica de vestuário, a Efalmeida. Mas ninguém melhor que os valorosos Benfiquistas portuenses para o confirmarem! Eu só por lá passei, fugazmente, porque sempre que posso visito os locais – mesmo que não existam já como campos desportivos – onde o Benfica mostrou a sua grandeza.

O Campo do Ameal (na fotografia aérea de 1939-1940 já sem as bancadas) foi um campo onde o vosso/nosso Benfica fez a felicidade de uma geração de portuenses que assistiram aos jogos do “Glorioso” no tempo em que apenas era possível ver as camisolas vermelhas da Águia altiva ao vivo e a cores. Nem relatos radiofónicos existiam.

JOGOS DO “GLORIOSO” NO CAMPO/ESTÁDIO DO AMEAL
ADVERSÁRIO
COMPETIÇÃO
SC Salgueiros
Particular
Sport Progresso
Particular
Taça de Portugal *
Taça de Portugal *
Particular
Cam. Nacional **
Particular
Cam. Nacional **
Leixões SC
Cam. Nacional **
9 J – 3 V2 E4 D 19/22
NOTAS: * Designada “Campeonato de Portugal” até 1937/38; ** Designado “Campeonato da 1.ª Liga” até 1937/38; A selecção nacional realizou cinco encontros, entre 1926 e 1930 (depois passou para o estádio do Lima) contando com a presença de dois futebolistas do Benfica: Raul Figueiredo (Tamanqueiro) e Vítor Silva que facturou um golo frente à Itália.
A alegria dos portuenses pintada de vermelho garrido, entre a sagacidade de Vítor Silva e a singeleza de Guilherme Espírito Santo.

MARCADORES DO “GLORIOSO” NO AMEAL
Marcadores
G. Espírito Santo
FC Porto (1 + 1) Leixões SC (2)
Jesus Crespo
SC Salgueiros (1) S. Progresso (2)
FC Porto (2) Leixões SC (1)
Rogério Sousa
Leixões SC (3)
Vítor Hugo
SC Salgueiros (1)
Jorge Tavares
SC Salgueiros (1)
Artur Augusto
SC Salgueiros (1)
José Carreira
S. Progresso (1)
Vítor Silva
FC Porto (1)
Luís Xavier
FC Porto (1)


A triste história da arrogância andróide pode ser lida neste texto da excelente revista «Stadium»:


Os bisavôs, avôs e pais de muitos dos actuais Benfiquistas portuenses indignados com o vexame a que um clube poderoso (FC Porto) sujeitou um pequeno clube que vivia, em grande parte, de ter conseguido, com esforço redobrado, um bom espaço desportivo depressa passaram a desrespeitar o portismo sentindo-se mais identificados com o comportamento de um clube agregador, universalista e democrático…o BENFICA. Em pouco tempo, a mui nobre e leal invicta cidade do Porto tinha tantos Benfiquistas que era a segunda cidade com mais importância para o Benfica, até pelas várias deslocações anuais, que fazia à Capital do Norte. A primeira Casa do Benfica foi inaugurada, na cidade da foz do rio Douro, em 1 de Janeiro de 1950, aproveitando a deslocação (e euforia na cidade) pelo jogo do “Glorioso” frente ao FC Porto. E que bonita era essa Casa tal como a actual.

Benfiquistas portuenses dêem graças aos portistas estúpidos de final dos Anos 30. Já viram as figuras tristes que feriam em dias de jogos?! Equipados assim!?


Ou ter que ir pela calada da noite à Póvoa num dia de Verão fazer ilusionismo na praia?


Alberto Miguéns

NOTA (à margem por serem ideias pessoais num texto central que se quer mais objectivo): Já o escrevi mais de uma vez neste blogue e repito:

1. Considero os Benfiquistas portuenses os Benfiquistas que mais mossa causam nos portistas. Os adeptos do FC Porto ficam completamente desvairados quando percebem que há tripeiros impolutos (a verde por ser a cor da cidade e do Sport Progresso) no amor à cidade que, em número e qualidade, os suplantam em plena cidade do Porto;

2. Eu já fui uma dúzia de vezes à cidade do Porto e é das cidades que mais gosto em Portugal. Apesar de viver em Lisboa desde os sete anos de idade, o Porto tem algo que complementa Lisboa e merece muito mais respeito por parte do Poder Central porque tem gente a viver na cidade, e no Grande Porto, que o merece. Mesmo portistas que encontrei e são, também, o orgulho da cidade. Uma cidade só faz sentido valorizando a população pois é o número de habitantes e o seu modo de vida citadino que lhe dão individualidade. Não é um qualquer Pinto da Costa que me fará mudar uma opinião que tenho, desde que a visitei pela primeira vez, aos 13 anos, pouco depois do 25 de Abril de 1974. Isso é que era bom! Jamais!

Vivam os Benfiquistas portuenses! Viva o Porto!  Fonte: http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com- Obrigado pela partilha – Leia o artigo na fonte aqui


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