Siga no facebook

Agora Querem Criar Outro “Calabote”


A FACILIDADE COM QUE SE ACHINCALHAM PESSOAS PARA ATINGIR O “GLORIOSO” MERECIA UMA TESE DE DOUTORAMENTO. DESTA VEZ TOCOU A SILVESTRE ROSMANINHO.


Nestes tempos em que se fazem teses a propósito de tudo e de nada estes revisionismos avariados mereciam uma ou várias. Há dias – poucos – recebi o seguinte comentário de um leitor.

Lido o texto logo de percebe à primeira que alguém do FC Barreirense quer apanhar o cavalo do SCP a propósito de considerar os Campeonatos de Portugal antecessores do Campeonato Nacional ao contrário do que considerou a FPF em 1938. E como o FC Barreirense nem sequer conquistou nenhum Campeonato de Portugal, mas foi à final em duas edições (1929/30, com o Benfica e 1933/34, com o Sporting CP), «pegou» numa delas – a conquistada pelo Benfica – e inventou que foi espoliado do título. O texto que servirá de base ao tema de hoje – o que estão a ler que assim até é mais uma espécie de esclarecimento – tem tantas incorrecções que mais parece um delírio, quase 88 anos depois, que outra coisa. Se encalhasse nele num “passeio pela internet” nem mereceria tempo gasto, mas tratando-se de um leitor merece tempo ocupado. Há erros demasiado grosseiros para merecerem grande destaque e por isso nem vou fazer pesquisa extra, mas apenas utilizar o que tenho aqui por casa. O texto é este e vou desmontar três mentiras entre várias.
(já agora fica aqui o Facebook do Barreirense)


Vamos aos três delírios:


1. O jogo foi mesmo em campo neutro. Foi no recinto do Sporting CP. O “Glorioso” jogava a cerca de três quilómetros, no estádio das Amoreiras. É mentira que o FC Barreirense fosse jogar a final no estádio do Benfica. Eis o jogo, historiado e descrito, em 1942, por Ricardo Ornelas.

Vinte Anos de Football em Torneios da Federação 1922 – 1941; Páginas 26 a 28; Compilação de Ricardo Ornelas; Edição de “Os Ridículos” de Rebelo da Silva; 1942; Lisboa


2. Estava suspenso pela AFL mas o Benfica recorreu, foi-lhe dada razão e João de Oliveira só cumpriu castigo nos jogos organizados pela AFL. No Campeonato de Portugal, organizado pela FPF, só não fez os nove encontros, mas apenas cinco (o primeiro em 24 de Abril (segunda mão dos oitavos-de-final) e a final a 1 de Junho, por que nos outros quatro estava lesionado. É mentira que fosse “amnistiado” apenas para jogar a final. Eis Mário de Oliveira a escrever acerca do que ocorrer e originou o castigo:

História do Sport Lisboa e Benfica 1904 – 1954; Volume II; 13.º fascículo; página 26; Mário de Oliveira e Rebelo da Silva; edição dos autores; 1955; Lisboa


3. Silvestre Rosmaninho jogou toda a década de 20 no Casa Pia AC. Iniciou-se no Benfica , mas no Verão de 1920 desertou do “Glorioso” com cerca de uma vintena de futebolistas (das quatro categorias) para fundar o Casa Pia AC. Mentira comprovada. Eis a equipa campeã, em 1920/21, do Casa Pia AC que tirou o título ao Benfica. De dois modos. Em campo, durante 1920/21 e no palmarés, sucedendo ao Benfica, campeão regional, em 1919/20. 

Casa Pia Atlético Clube – Ateneu Casapiano 1920-1970; página 42; Viriato Camilo; Biblioteca  Museu Luz Soriano; Agosto de 1955; Lisboa


Quanto à fundação do CPAC por abandono do SLB. Resultado n.º 1: O SLB campeão regional em 1919/20 privado de alguns dos seus melhores futebolistas perdeu o título, em 1920/21, para o…Casa Pia AC. Não sei se uma «traição» em 1920 pode ser considerado «caso de amor», dez anos depois, em 1930. Resultado n.º 2: Durante a década de 20, raros eram os jogos, entre o Casa Pia AC e o “Glorioso”, em que não existiam desacatos. Por isso está-se mesmo a ver que, em 1930, os Benfiquistas adoravam o Casa Pia AC e Silvestre Rosmaninho que voltara costas ao Benfica, em 1920, era um dos melhores árbitros portugueses (clicar para este excelente texto) ia logo beneficiar o Benfica e prejudicar o FC Barreirense de modo tão vil que não há quem tenha descrito nada no dia seguinte ao jogo! 


Em tempos já se escreveu acerca desta final mas contando a verdade e valorizando o adversário. Foi também publicada uma digitalização da crónica do jogo do jornal “Os Sports” de 2 de Julho de 1930 (clicar)

Desse longo texto (profusamente ilustrado) destaco o seguinte:


É esta a diferença da Cultura Benfiquista. Elogiam-se os adversários (quando o merecem) e não se inventam desculpas (quando não existem, por isso, esfarrapadas) para justificar fracassos!

Alberto Miguéns Fonte: http://em-defesa-do-benfica.blogspot.com- Obrigado pela partilha – Leia o artigo na fonte aqui


Close Menu